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HTA na grávida

Nos últimos anos temos assistido ao adiamento da primeira gravidez para idades cada vez mais avançadas, assim como a um menor número de gestações em cada mulher. A sociedade de consumo em que vivemos é responsável por hábitos de vida pouco saudáveis, sendo a obesidade, o sedentarismo, o tabagismo e a Hipertensão Arterial (HTA) problemas graves nas mulheres em idade fértil, agravando o prognóstico da gravidez.

Cerca de 3% de todas as mulheres em idade fértil tem HTA e 6-10% de todas as gravidezes são complicadas por esta patologia.

A HTA é uma das intercorrências clínicas mais frequentes na gravidez acarretando riscos quer para a saúde da mãe, quer para a saúde do bebé. Pode complicar a evolução normal da gravidez, condicionando a restrição de crescimento intrauterino do feto, prematuridade ou mesmo a própria morte do feto. A presença de HTA na gravidez requer uma cuidada vigilância por uma equipa multidisciplinar face aos riscos acrescidos para a mãe e para o feto.

É pois importante que todas as mulheres em idade fértil conheçam os seus valores de tensão arterial, assim como é importante o planeamento atempado da gravidez. Nas mulheres que já têm HTA antes de engravidar, é de extrema importância que sejam seguidas em consulta especializada, de forma que a sua HTA esteja controlada. Naquelas que usam medicação, é importante que esta não seja lesiva para o futuro bebé. 

Nem todos os medicamentos usados para o tratamento da HTA são seguros para o futuro bebé. Por isso, se toma esta medicação e se pretende engravidar, consulte previamente o seu médico!


Quais os tipos de HTA que existem na grávida?

A HTA na grávida (valores iguais ou superiores a 140/90mmHg documentados em 2 determinações separadas de pelo menos 4 horas) pode surgir sob várias formas:
  • HTA crónica ou pré-existente: HTA que já existia antes da mulher engravidar ou que surgiu até às 20 semanas de gestação e que se prolonga depois das 12 semanas após o parto;
  • HTA gestacional: HTA que surge após as 20 semanas de gestação e que desaparece até às 12 semanas após o parto;
  • Pré-eclâmpsia: HTA gestacional associada a um aumento de proteínas na urina. É uma situação mais grave e que em muitas vezes requer uma monitorização e internamento hospitalar;
  • Pré-eclâmpsia sobreposta a HTA crónica: HTA crónica em que após as 20 semanas de gestação aparece um aumento das proteínas na urina. Tal como a situação anterior, muitas vezes requer uma monitorização e internamento hospitalar;
  • Eclâmpsia: HTA associada a um aumento de proteínas na urina e convulsões.
Sempre que se detete alguma destas situações, a mulher deve ser referenciada para a Consulta de Alto Risco Obstétrico para uma vigilância cuidada, face aos riscos acrescidos para a mãe e para o feto.
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