Conheça melhor a Hipertensão Arterial
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HTA: Mitos

A hipertensão arterial (HTA) é uma doença curável
A HTA é uma doença que pode ter cura, no entanto, este fato ocorre numa minoria dos casos. Em menos de 10% dos hipertensos encontramos uma causa curável para a doença. Na maioria das pessoas, a HTA é uma doença causada por diversos fatores (designada como doença multifactorial), atuando de uma forma conjunta e complexa. O avançar da idade, raça, história familiar, excesso de peso, sedentarismo, ingestão excessiva de sal, entre outros fatores, estão envolvidos na génese da doença. 
(ver Qual é o risco de vir a ter Hipertensão Arterial?)

A HTA costuma causar sintomas, como a dor de cabeça

A HTA não costuma causar sintomas, principalmente em hipertensos crónicos. Por este motivo, a doença é conhecida como a "doença silenciosa". Sintomas como dor de cabeça, mal-estar, tonturas e hemorragia nasal, não são um bom indicativo da presença de HTA. A monitorização ambulatória da pressão arterial (MAPA), exame que correlaciona valores da pressão arterial (PA) e a sintomatologia referida pelo paciente ao longo do dia, reforça a natureza assintomática da doença. 
(ver Quais são os sintomas?)

As pessoas devem apresentar um valor de PA relativamente constante

A PA costuma variar de acordo com as atividades exercidas pelo indivíduo. A PA costuma ser maior em situações de stress, excitação ou esforço físico. Durante o período do sono, costuma haver uma queda fisiológica da PA (descida de cerca de 10 quando comparada a pressão arterial média durante o dia). Os idosos apresentam uma grande variabilidade da PA, podendo num mesmo dia, apresentar valores discrepantes em curtos intervalos de tempo. É importante ter a noção de que a hipertensão não consiste na oscilação dos valores da PA, mas sim da persistência de níveis elevados da mesma. Não há um valor ideal e constante aplicável a todas as pessoas. 

É normal que as pessoas idosas tenham uma PA mais elevada.

Com a idade, pode verificar-se um aumento na PA máxima ou sistólica, enquanto que a PA mínima ou diastólica não aumenta (ou até diminui), após os 50 anos. Tanto para adultos como para idosos, uma PA sistólica maior ou igual a 140 mmHg é considerada sempre elevada (a designada HTA sistólica isolada).

A mulher tem sempre uma PA mais baixa

Até entrar na menopausa a mulher sofre influência dos estrogénios, que atuam com um efeito protetor a nível da PA. Mas esse fator não influencia significativamente a aferição de PA.

Iniciar uma medicação anti-hipertensora pode deixar o organismo de um paciente hipertenso dependente da mesma

A grande maioria dos hipertensos que inicia uma medicação anti-hipertensora, acaba por a usar de uma forma contínua e indefinida. No entanto, mudanças dos hábitos de vida poderão resultar numa normalização da PA. Nestes casos, a medicação anti-hipertensora poderá ser ajustada (ou mesmo suspensa), sem prejuízos de maior para o utente, sem nunca, contudo, esquecer uma vigilância regular dos valores da PA.

Uma vez que a PA está controlada e me sinto bem, poderei suspender a minha medicação

A normalização da PA costuma ser resultado da combinação de modificações no estilo de vida e da medicação anti-hipertensora.
Como a ação dos medicamentos é de carácter transitório (e daí a necessidade de tomas regulares dos mesmos), a sua suspensão elevará novamente a PA. 
Como tal, hipertensos que controlaram os níveis de PA após a introdução de medicamentos, não devem proceder à sua suspensão sem uma devida orientação médica. Além disso, é de crucial importância a medição regular dos valores de PA fora do consultório médico para avaliar se, de facto, os valores se encontram controlados e não há necessidade de ajuste terapêutico.

No dia da consulta, não devo tomar a medicação anti-hipertensora, pois só assim o médico saberá de facto como está a minha PA.

A medida da PA sob o uso de medicação anti-hipertensora poderá trazer informações importantes relativas ao curso da doença, em especial ao seu controlo. Esta NÃO deverá ser suspensa no dia da consulta.

As medicações anti-hipertensoras afectam o desempenho sexual.

Certos medicamentos anti-hipertensores (betabloqueantes, diuréticos ou a a-metildopa), podem alterar a resposta sexual. No entanto, existem hoje à disposição no mercado inúmeros medicamentos efetivos e bem tolerados, que minimizam este efeito colateral sobre o desempenho sexual da pessoa hipertensa.

Quando a pressão está baixa, colocar uma pitada de sal debaixo da língua resolve a situação.

Pode elevar temporariamente o nível da PA, mas para o efeito, não é a melhor forma de resolver a situação. Para elevar a pressão, o corpo deverá reter líquidos e isso não acontece imediatamente com a ingestão de sal. Como tal, a forma ideal para minorar os desconfortos da pressão baixa passa pela ingestão de líquidos (por exemplo, água) e, caso a pessoa esteja muito sintomática, deve deitar-se no chão mantendo as pernas elevadas acima da cabeça.
(ver E se os valores estiverem baixos – devo preocupar-me?)

Histórico familiar de pressão alta indica que a pessoa será hipertensa?

Embora o componente genético seja um fator de risco inegável, a pessoa não será necessariamente hipertensa. Fatores como o tabaco, álcool, sedentarismo, alimentação inadequada e obesidade são também fatores de risco relevantes para determinar quem será ou não hipertenso.
(ver Qual é o risco de vir a ter Hipertensão Arterial?)

Sou uma pessoa stressada, por isso a minha PA não se controla.

O stress, tal como outros fatores, apresenta influência na oscilação da PA, inclusivé em indivíduos saudáveis. Contudo, não impede o controlo da doença.
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